quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nikolai Gogol

Nikolai Vasilievich Gogol (em russo: Николай Васильевич Гоголь; em ucraniano: Микола Васильович Гоголь, transliteração: Mykola Vassyliovytch Hohol, Poltava, Ucrânia, 20 de Março de 1809 - Moscovo, 21 de Fevereiro de 1852), foi um proeminente escritor russo de origem ucraniana. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela tradição ucraniana, Gogol escreveu em russo e sua obra é considerada herança da literatura russa. 

Toda a sua obra é fundada no realismo, mas um realismo muito próprio com rasgos do que viria a ser um surrealismo. Apesar da crítica fulminante, a obra é hoje apontada como absolutamente russa. Com vinte anos (1829), o jovem Gogol vai para São Petersburgo, onde conhece Alexandre Púchkin, o maior escritor de então, que lhe inspira devota amizade e fervorosa empatia, ideias novas para obras que ainda não tinham vindo à luz do dia, nomeadamente Noites na Herdade de Dikanka, sua obra de estreia, tendo sido publicada em 1831, obtendo Gogol o seu primeiro êxito. 

 Mas desde cedo revela uma personalidade complexa. Amante fervoroso da verdade, Gogol é um homem repleto de preocupações místicas, religiosas e patrióticas. A sua obra reflecte o lado moralista das questões que dizem respeito à condição humana, trágica e inapelavelmente priosioneira na sua jaula; mas a crítica efusiva censurava amiúde suas tentativas de fazer vingar o poder instituído e aparentemente inabalável. Gogol não fora político, não possuía um programa de acção contra o regime, que fazia da Rússia da época um país «metade caserna, metade prisão». 

No entanto, a crítica não revelaria sendo o bastante para caricaturar o jovem e proeminente escritor. Seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura, e apesar do seu modo do género temerário, nunca fora o amparo na infância de Nikolai, ainda que o jovem nutrisse por seu progenitor verdadeira amizade. Sua mãe transmitiu-lhe a fé religiosa, que veio a desencadear em um misticismo doentio. Seus progenitores seriam portanto uma quota parte da influência em toda a sua obra. Depois de estudos medíocres, este jovem de fisionomia austera deixa a Ucrânia e encontra um modesto emprego de escritório ministerial em São Petersburgo. 

A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta inspiraram alguns dos seus escritos. A panóplia de obras e romances do então funcionário para sempre enclausurado avivaram a sua carreira como autor, e após haver conhecido pessoalmente o romântico Alexandre Púchkin, sua obra despoletaria em um realismo próprio - não diremos insuflado, mas uma fonte riquíssima em artifícios paradoxais, tal como Dostoiévski havia traçado em sua obra. Prova desse realismo típico veio a ser a novela O Capote, cujo herói se tornara arquétipo do pequeno funcionário russo.

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