quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Murilo Mendes

Murilo Mendes, publicou seu primeiro livro Poemas, em 1930, ano em que também estréia o poeta Carlos Drumond de Andrade. Em artigo sobre livros de poesia lançados nesse ano, Mário de Andrade considerou que o de Murilo Mendes "historicamente é o mais importante dos livros do ano". A obra que Murilo Mendes produziu ao longo de mais de quatro décadas situa-se hoje como uma das mais importantes da literatura brasileira. É crescente o interesse por seu trabalho, o que se verifica pelos estudos sobre seus textos e pelo número cada vez maior de teses universitárias dedicadas à sua obra.

Murilo Mendes, além dos livros de poemas, publicou muitos textos em prosa, como o volume de memórias A idade do serrote (1968) e numerosos artigos sobre artes plásticas e literatura. De 1957 até sua morte, em 1975, morou na Itália, onde foi professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma.

Cronologia

1901 Nascimento de Murilo Monteiro Mendes, a 13 de maio, em Juiz Fora, Minas Gerais.

1902 Em 20 de outubro, morre sua mãe, Eliza M. de Barros Mendes.

1910 Passagem do cometa de Halley, que constitui verdadeira revelação poética para Murilo.

1917 Foge do colégio interno em Niterói para ver, no Rio de Janeiro, as apresentações do dançarino russo Nijinski, outra revelação poética.

1920 Mudança definitiva de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro.

1924-29 Anos de formação e instabilidade profissional. Publica poemas em revistas modernistas, como Revista de Antropofagia e Verde.

1930 Publicação do primeiro livro, Poemas, que recebe o prêmio Graça Aranha. Escreve Bumba-meu-poeta.

1933 Publicação de História do Brasil.

1934 Morte de Ismael Néri e conversão de Murilo ao catolicismo.

1935 Publicação, com Jorge Lima, de Tempo e eternidade.

1936 Torna-se inspetor do Ensino Secundário do Distrito Federal.

1937 Publicação de A poesia em pânico.

1940 Conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria.

1941 Publicação de O visionário.

1943 Internamento em sanatório, em Correia, perto de Petrópolis, com tuberculose. Morte do pai, Onofre Mendes.

1944 Publicação de As metamorfoses.

1945 Publicação de Mundo enigma e O discípulo de Emaús.

1946 Torna-se escrivão da 4ª Vara de Família do DF.

1947 Publicação de Poesia liberdade. Casamento com Maria da Saudade Cortesão. Não tiveram filhos.

1949 Publicação, na França, de Janela do caos, em edição especial com litografias de Francis Picabia.

1952-56 Primeira viagem à Europa, onde cumpre missão cultural. Conferências na Bélgica, Holanda e França. Inicia amizade com André Breton, René Char, Albert Camus, Magritte, Ghelderode e outros.

1954 Publicação de Contemplação de Ouro Preto. Na França, é publicado Office humain, antologia de poemas de Murilo traduzidos para o francês.

1957 Murilo se muda para a Itália, passando a residir em Roma, onde se torna professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma. Depois, foi também professor na Universidade de Pisa.

1959 Publicação de Poesias, obra completa até essa data, mas com exclusão de História do Brasil. Publicação, em Portugal, de Tempo espanhol. Na Itália é publicada Siciliana, com prefácio de Giuseppe Ungaretti.

1961 Publicação, na Itália, de Poesie, em tradução de Giuseppe Ungaretti, Luciana Stegagno Picchio e Ruggero Jacobbi, e de Finestra del caos, em tradução de G. Ungaretti. Publicação, na Espanha, de Siete poemas inéditos, em tradução de Dámaso Alonso e Angel Crespo.

1962 Publicação, na Espanha, de Poemas, em tradução de Dámaso Alonso.

1964 Vem ao Brasil selecionar obras para a 32ª Bienal de Veneza. Publicação, em Portugal, da Antologia poética e, na Itália, de Le metamorfosi, em tradução de R. Jacobbi.

1965 Publicação, na Itália, de Italianíssima (7 Murilogrami) e, na Espanha, de Poemas inéditos de Murilo Mendes, em tradução de Dámaso Alonso e Angel Crespo.

1968 Publicação de A idade do serrote, memórias da infância.

1970 Publicação de Convergência.

1971 Publicação, na Itália, de Poesia libertà, antologia bilíngüe organizada por Ruggero Jacobbi.

1972 Recebe o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina. Vem ao Brasil pela última vez. Publicação de Poliedro.

1973 Publicação de Retratos-relâmpagos, 1ª série.

1975 Murilo Mendes morre em Lisboa, no dia 13 de agosto.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Paul Verlaine

Poeta francês, nascido em 1844, de vida considerada atribulada e escandalosa, cuja poesia reflete a contradição entre uma conduta deplorável e um ideal quase primitivo de pureza e misticismo. Verlaine nasceu em Metz e fez seus estudos secundários em Paris, entrando depois, como funcionário, para a Prefeitura. Já nessa época, frequentava a boêmia dos cafés parisienses, sendo um funcionário relapso e pouco assíduo. É então que descobre a poesia.

Poèmes Saturniens ("Poemas Saturninos, 1866) é sua primeira coletânea publicada. Verlaine professa de início a impassibilidade parnasiana, mas já seu instinto poético o conduz a dar maior agilidade ao alexandrino, a utilizar os ritmos ímpares a sugerir vagos estados por estrofes vaporosas. Poucas obras na história da poesia francesa são mais sinceras e comoventes.

Inquieto e instável, o poeta conquista por algum tempo o equilíbrio e paz, quando se casa em 1870 com Mathilde Meauté. Porém sucedem-se logo os mal entendidos conjugais e Verlaine retoma seus antigos hábitos boêmios. Liga-se então ao jovem poeta Rimbaud e em sua companhia perambula pela Inglaterra e a Bélgica. Em julho de 1873, em Bruxelas, sob a influência da bebida, atira duas vezes no amigo, e é preso. Durante os dois anos de prisão em Mons vem a saber que a esposa pedira divórcio. Profundamente abalado, Verlaine se converte a fé católica. Testemunhas dessa fase de crise e conversão, são seus dois livros Romances sem palavras de 1874 e Sabedoria de 1881. Também é flagrante a influência do gênio de Rimbaud nos temas e nos ritmos. Foi admirado pelos simbolistas que o endeusaram, embora o próprio poeta se quisesse manter independente de qualquer corrente literária

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vladmir Maiakowski

Escritor soviético, Vladmir Maiacowski nasceu em 7 de julho de 1893. Figura mais importante da literartura produzida após a Revolução de 1917.

Líder, no seu país, do movimento futurista, influenciado por Marinetti e pelas experiências dadaístas, tornou-se o grande poeta revolucionário da U.R.S.S. Cantou o poder da coletividade, satirizou inimigos da Revolução e defendeu a nova ordem, adotando um tipo de poesia-propraganda, muito sua, numa linha de intenção como de despoetizar a poesia, graças ao uso de imagens grotescas, associações e situações inesperadas. Na essência, porém, Maiakovski, pela sua fina sensibilidade poética, era um temperamento individualista, sonhando com a felicidade pessoal e amorosa. Inimigo de qualquer forma de coerção, não podia deixar de entrar em choque com a prepotência do Estado. Sua lealdade ao regime, todavia, deve ter criado um grave conflito íntimo, que levou ao suicídio em 14 de abril de 1930.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alberto Caeiro

Um dos heterônimos de Fernando Pessoa apresentado por Batista de Lima

"Há sem dúvida quem não queira nada."

Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, em abril de 1889, e na mesma cidade faleceu, tuberculose, em 1915. Passou quase a vida inteira numa quinta de Ribatejo. Lá escreveu O Guardador de Rebanhos e uma parte de O Pastor Amoroso, que não foi completado. No mesmo local, escreveu ainda alguns poemas de Poemas Inconjuntos, vindo este a se completar já em Lisboa, quando lá o autor voltou, já no final da vida. Aliás, da vida de Caeiro não há o que narrar; sua vida e seus poemas se confundem.

Simples, Caeiro parte do zero, quando regressa a um primitivismo do conhecimento da natureza. Mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, a eles ensinou a filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender. Compôs uma poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva, e prosaica, por extirpar do texto, ao máximo, a conotação tradicional. Considerando o mais contraditório dos heterônimos, atinge o poético pelo apoético, ou seja, conota quando denota, já que usa o inusitado.

Este heterônimo pessoano, diante da possibilidade de se infelicitar com o sol, os prados e as flores que contetam com sua grandeza, procura minimizá-los, comparando-os com eles próprios. Nessa redução do mundo, fica mais latente o "nada". Daí ser ele o heterônimo que nada quer. Mesmo assim, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada, é que mais intelectualiza entre as personalidades pessoanas, parece usar o raciocínio sem querer demonstrar isso. Daí ser o mais infeliz, por restringir o mundo, além de fugir do progresso e a ele renunciar.

Caeiro faz uma poesia da natureza, uma poesia dos sentidos, das sensações puras e simples. Foi por isso que procurou, na serra, sentir as coisas simples da vida com maior intensidade.

Sendo o mais intelectualizado entre as personalidades pessoanas, Caeiro foi o que menos se preocupou com o trabalho formal do poema. Daí o comentário crítico do seu discípulo Ricardo Reis:
"Falta nos poemas de Caeiro
aquilo que deveria completá-los a disciplina exterior.
Não subordinou a expressão
à uma disciplina comparável àquela a que subordinou,
quase sempre, a emoção e sempre, a idéia."

Como afirma Reis, Caeiro, sem muitas preocupações formais, foi o filósofo das personalidades pessoanas. Mesmo o tempo todo não querendo nada e trabalhando o lado mais simples da linguagem, a denotação, conseguiu, de maneira surpreendente, elaborar um inusitado monumento poético.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Goethe

Johann Wofgang von Goethe, o grande poeta e pensador alemão, nasceu em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt sobre o Meno e faleceu em março de 1832, aos 82 anos, em Weimar. Goethe foi um gênio universal. Sua vasta obra compreende, além das inúmeras peças dramáticas, como o célebre Fausto, romances, contos, poesia lírica, cartas e descrições de viagens, assim como estudos de ciências humanas e naturais, em que se destacam a Teoria das cores e a Metamorfose das plantas. Com seu pensamento e arte, influenciou a cultura de toda uma época. Todos os grandes nomes deste período estiveram envolvidos nesse processo. Goethe e Weimar, cidade em que passou os anos mais produtivos de sua vida, podem ser citados, de um só fôlego, como sinônimos do classicismo alemão. Uma contribuição de peso para a história da cultura ocidental.