terça-feira, 8 de junho de 2010

Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife, em 19 de abril de 1886. Aos 4 anos mudou-se com o pai e com a m�e para o Sudeste, onde moraram no Rio de Janeiro e em Santos. Aos 6 anos voltou para a cidade natal ficando por 4 anos e retornou para o Rio de Janeiro.

Segundo ele, esses foram os quatro anos mais importantes de sua vida. Dessa �poca est�o presentes em sua obra, por exemplo, os empregados da casa de seu av�, as festas populares e at� uma mo�a tomando banho de rio sem roupa, seu "primeiro alumbramento".

Aos 18 anos, estudando arquitetura na Escola Polit�cnica de S�o Paulo, descobriu que tinha tuberculose, ent�o incur�vel. Ele abandonou o curso e procurou se tratar em v�rias serras brasileiras. Em 1913, foi para o sanat�rio de Clavel, na Su��a, onde fez amizade com o poeta franc�s Paul �lvard.

Um ano depois, por causa do in�cio da Primeira Guerra Mundial, Bandeira retornou ao Brasil. Antes, por�m, seu m�dico lhe disse que tinha les�es teoricamente incompat�veis com a vida, mas que os sintomas n�o correspondiam �s les�es. Por isso, ele poderia viver cinco, dez, quinze anos...
"Continuei esperando a morte para qualquer momento, vivendo sempre como que provisoriamente".

Em Libertinagem (1930), escreve o poema "Pneumot�rax":
Febre, hemoptise, dispn�ia e suores noturnos,
A vida inteira que podia ter sido e que n�o foi.
Tosse, tosse, tosse.
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Mandou chamar o m�dico:
- Diga trinta e tr�s.
- Trinta e tr�s... trinta e tr�s... trinta e tr�s...
- Respire.
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- O senhor tem uma escava��o no pulm�o esquerdo e o pulm�o direito infiltrado.
- Ent�o, doutor, n�o � poss�vel tentar o pneumot�rax?
- N�o. A �nica coisa a fazer � tocar um tango argentino-

Em 1916, perde sua m�e e no ano seguinte, publica seu primeiro livro, "A Cinza das Horas". Segundo ele, ainda n�o tinha a inten��o de come�ar carreira liter�ria, desejava dar-lhe a ilus�o de n�o viver inteiramente ocioso. Em 1918, morre sua irm�, a qual tinha sido sua enfermeira durante muito tempo. No ano de 1919, seu pai custeia a publica��o de "Carnaval", mas logo depois, em 1920, morre, e a partir da� o poeta se instala na solid�o de modo definitivo.
"A morte de meu pai e a minha resid�ncia no morro do Curvelo, de 1920 a 1933, acabaram de amadurecer o poeta que sou. Quando meu pai era vivo, a morte ou o que quer que me pudesse acontecer n�o me preocupava, porque sabia que pondo a minha m�o na sua, nada haveria que eu n�o tivesse coragem de enfrentar. Sem ele eu me sentia definitivamente s�. E era s� que teria de enfrentar a pobreza e a morte".

Ao completar 80 anos, em 1966, sai o volume "Estrela da Vida Inteira". E no dia 13 de outubro de 1968, morre Manuel Bandeira, v�tima de hemorragia g�strica. Afinal encontra a morte, companheira de tantos anos, expectativa e presen�a constante em sua poesia, tema de reflex�o que leva � consci�ncia dos limites humanos.